Segunda-feira, Abril 30, 2007
Segunda-feira, Abril 02, 2007
La Ritournelle
Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Princípio da não retroactividade do arrependimento
Terça-feira, Outubro 17, 2006
Al medina
Domingo, Setembro 03, 2006
Cirque du soleil
Um bafo quente acorda-o no colchão. Vira a almofada vezes sem conta procurando o pedaço de tecido mais fresco. Escreve por estes dias em casas alheias seguindo já para a terceira. Nenhuma a que possa chamar casa. Esqueceu-se de como se escreve e contenta-se a ir preenchendo linhas em branco. Paira por estes dias qualquer coisa incerta nos sítios por onde passa. Vai-se limitando a passar. Chegadas tardias em estados doentios com vista para algures. Vai aproveitando o que lhe resta. Suplica por ideias e tudo o que lhe ocorre é mais um vicio. Nada. A juventude passa-lhe a uma terça-feira sem que a conseguisse conhecer como vem nos filmes. Os acordares seguintes trazem tenções novas e vontades para um depois diferente que esbarram em memórias passadas. Só lhe ocorre o que foi. O amanhã aparece excessivamente longe assim como o outro dia. E o outro. A história tende a repetir-se e ele segue-a, fiel. Quer lá chegar mas encontra o depois sempre a seguir e nunca ali. Foge-lhe tudo. Passam-lhe os sonhos. Fogem-lhe as pessoas. Passa-lhe a inspiração. Nada se cria, tudo se perde. Passa-lhe a vontade de começar de novo. Renova-se um tormento antigo. Assusta-o a ideia de mais um ano à maneira clássica. (Quarta casa) Olhar em redor e ver um monte de espectros de outros tempos a rondar. O sol abrasar e entrar ameaçador parando no soalho e na tinta branca. Desaparecem os fantasmas. Sobram as figuras no armário que perdem a cor à sua velocidade natural. Sem traços que se distingam aguardam a sua vez para serem arrumados. A qualidade da cola confirma-se. Pega-se inabalavelmente à madeira levando um bocado dela consigo ao descolar. As fotos ficam por hoje. Talvez amanhã pense numa outra maneira. Passado talvez o depois.Quinta-feira, Maio 11, 2006
What Women Worth

Sábado, Abril 29, 2006
Finalistas
Passadeira vermelha. A dança dos vestidos compridos e sapatos resplandecentes. Olhares boquiabertos para o par que chega, ele ajeitando a gravata - ela fazendo um esforço sobrenatural para não se desequilibrar e perder a seriedade. A postura hoje é distinta; os sorrisos são nervosos e a conversa mais formal. Todos vestidos impecavelmente e bem comportados por uma noite. Umas poucas horas de fama que duraram uma eternidade a cumprir-se e voam agora ao som de Louis Armstrong e Diana Krall. Os olhares são mútuos e sucessivos; comentam-se penteados e vão-se contando estórias de infância. Muitos contam-na desde há muito tempo, aqui. Aqui cresceram e se tornaram Homens. Sentem em si o orgulho de ter chegado longe; vêem-se nos outros, espreitam cada canto que guarda cada segredo nas paredes frias e mudas. Aqui tivemos a primeira nega, a primeira paixão, o primeiro melhor amigo. Venerámos os mais velhos e somos agora chamados de grandes. Muitos não tinham sequer altura suficiente para se lembrar de si quando aqui chegaram. Outros entraram há pouco mas já suficiente tempo para sentir a diferença e o peso da responsabilidade. Até ao final da noite cada um vai certamente desejar que o ano tivesse já acabado, imaginar-se de capa e batina com um diploma na mão na torre que fica já ali ao lado. Mas não hoje. Hoje todos vão olhar para o passado, ver onde chegaram no presente e descontrair com o futuro. Hoje despedimo-nos, 5 10 15 anos depois. É incontestável dizer que as despedidas custam sempre mesmo aos mais duros. Acabar algo é sempre um misto de satisfação por dever cumprido mas também de melancolia e saudade, quando a ocasião e as pessoas nos marcam. Mas a seguir a um acabar segue-se imediatamente um novo começar e todos nós estamos agora à espera. Cada dia vai sendo menos um para mais uma despedida, mais um abraço que acaba num até para o ano. A partir do momento em que à frente do nosso nome vier escrito aprovado ou reprovado cada abraço pode vir a ser o último. Mais cedo ou mais tarde acabaremos por recorrer ao divino ou esperar que a sorte tome conta de nós. Mas não há Deus ou sorte alguma no mundo que nos valha se ficarmos para trás. Todos estamos dependentes apenas de nós próprios para decidir o que fazer com o que nos dão. Decerto uns ganharão mais; outros ocuparão lugares de destaque; alguns, poucos, serão famosos. Mas de barba rija e barrigas proeminentes cada um vai olhar e desejar nunca ter saído desta idade. A fasquia está alta. O compromisso assumido. É esta a vantagem da ambição. Podes não chegar à lua mas tiraste os pés do chão.
Domingo, Abril 16, 2006
Watch me forget about missing you
Segunda-feira, Abril 03, 2006
Porque não pedir o mundo?
Cinco, quatro, três, dois, …
Pois, não passámos do dois.
Mas deixemos os relatos infelizes para depois.
Estivemos quase,
mas quase não sei se chega.
Mandámos vir champagne e deu-se a tragédia grega.
Como é que se diz? Foi por um triz
que nós não pusemos os pontos nos is.
Nabice? Preguiça? Alguém faltou à missa?
Qualquer coisa lhes deu, não sei bem o que foi.
Sei é que fizemos um grande campeonato mas na final não jogámos um boi.
Um boi?!
Foi ou não foi?
Corremos, marcámos, merecemos,
saltámos, sofremos e fizemos sofrer.
Fizemos o possível enquanto houve combustível
e metemos o que havia para meter.
Como é que uma equipa com talento, magia
e um futuro de que tanto se disse,
está disposta a deitar fora a energia
e se conforma em estar na história como "vice"?
Nada disso!
O tuga, que até hoje só provou que consegue ser segundo,
Vai, por isso, deixar de ser chouriço
e assumir o compromisso de ser campeão do mundo.
Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais
Há quem diga que Portugal não está em forma,
modesto por norma, faz-lhe falta um safanão
que nos faça de uma vez acreditar
que entre os que podem ganhar
está a nossa selecção.
A fasquia está alta? Não faz mal, Portugal salta
com milhões a empurrar.
Até pode parecer louco, mas para nós segundo é pouco
E um louco não se deve contrariar.
Será demais pedir o mundo?
O que pedimos, no fundo, são ainda menos ais.
Porque todos se lembram do campeão
Mas não dos que são derrotados nas finais.
Ficar nos dois primeiros não tem mal nenhum,
É preciso é que fiquemos no número um.
Vamos apagar da história essa final de má memória
e vão ver que ninguém topa.
Porque eu posso estar errado, mas que eu saiba, em qualquer lado,
o melhor do mundo é o melhor da Europa.
Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais
Repete-se o refrão, a história é que não.
Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais.
É o retrato de um país aplicado ao futebol.
Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.
Toca a acordar, pessoal!
Queremos mais garra,
deixar de ficar felizes quando a bola vai à barra.
Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro,
Que o último a chegar é ****leiro.
Ter medo deles? Isso era dantes!
Vamos embora encher de orgulho os emigrantes.
Sem esquecer que nas grandes emoções
quando grita um português, gritam logo 15 milhões.
Heróis de Berlim, nobre povo…
Não tinha graça cantar um hino novo?
Escrito pelo pé de artistas
que vão alargar as vistas à nação verde e vermelha.
Ficar em segundo? Nem morto!
Ganhar ou perder é desporto? 'Tá bem abelha!
Venha a Alemanha, o Brasil ou a Argentina
com cabelos de menina e cara de lobo mau,
se calham a apanhar-nos pela frente e viram as costas à gente… TAU!
Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais
Repete-se o refrão, a história é que não.
Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais
Seja no chão, pelo ar, de cabeça ou calcanhar,
de tabela, nas laterais ou no miolo…
Vai Ronaldo, finta um , finta dois, pode remataaaar… golo!!!
(É esta a vantagem da ambição,
podes não chegar à lua, mas tiraste os pés do chão.)
Sexta-feira, Março 31, 2006
Quinta-feira, Março 30, 2006
Há dias especiais
Só isto porque já escrevi muitas linhas depois desta e voltei a apagá-las porque não fazem sentido. Sabes tudo o resto. A felicidade, a realização, a segurança, a diversão. Já conheces todos esses desejos. Hoje peço-te apenas para continuares ai desse lado como sempre. Para sempre. Parabéns.
Segunda-feira, Março 27, 2006
Well, I got one foot on the platform

The other foot on the train.
Quinta-feira, Março 23, 2006
The House of the Rising Sun
Imagino-me a entrar em casa daqui a 20 anos. Outra casa. Um sítio diferente, branco e amplo sem muita coisa e com uns vidros estupidamente grandes. Olho-me ao espelho na entrada e mexo no cabelo, grande e certinho, a disfarçar os primeiros sinais de rugas na testa. As minhas roupas são diferentes, pesam mais e não têm as cores de antigamente. Desaperto um pedaço de tecido ao pescoço e descalço os armani que a minha mãe me deu pelo Natal. Grito, “Querida cheguei”, apenas pelo prazer do eco pela casa. Um labrador cor de sonho salta-me em cima sujando-me a camisa por completo. Começa a fazer sentido. Vou até ao gira-discos com um estilo caríssimo e testo-o com a voz de um Frank Sinatra particularmente inspirado. Preparo um martini duplo para acompanhar, shaken, not stirred e estico-me no sofá, estoirado com o dia de (possível) trabalho. A casa parece no entanto parada. Demasiada quieta. Não há fotografias ou quadros em lugar algum. O único barulho é o da agulha a riscar o disco, sem voz. Acabo por adormecer no sofá como já seria costume e acordo tarde como seria de esperar. Arrastei-me para a banheira ajudado pelo cão que me enchia as calças de baba.
A melhor coisa da casa era o quarto de vestir, só para as roupas. Um armário para camisas e casacos, outro para calças e as gavetas para o calçado. Deve-me ter saído o euro milhões o ano passado, penso. Acabo de ajeitar a gola quando o telefone toca. Corro à procura do som que vem do meio das almofadas e carrego de imediato no botão. Preparo-me para falar e penso por um instante. Assim que lhe ouvi a voz percebi imediatamente.
Sábado, Março 11, 2006
Pinto quadros por letras

O mundo lá fora começou a ficar com tonalidades estranhas. Senti-lhe a tinta estalar. Aquela cor que eu tanto adorava estava amarelada do sol. As partes mais baixas tinham ficado borratadas com a humidade. Da janela da minha vida via um quadro sujo, velho e estragado. Parecia que o tempo tinha-lhe roubado a cor e levado a vida. A fé extrema que um gesto muda o mundo, o desejo de amar até morrer e de morrer por amar, os laços fundos, profundos, intensos, todos eles pareciam fugidos dessa pintura. Naquele dia a paisagem foi diferente. Tudo se parecia arrastar por inércia, por obrigação, “porque me mandaram”. Tentei gritar-lhes para se mexerem, para se entregarem mas nada, nem só um movimento fora do lugar, do ritmo sincronizado. Nem tão pouco uma cor forte, cheia de vida. Fechei a janela triste, sabia que não conseguia pintar um novo. Não sabia como. No dia seguinte conheci alguém que me disse que todos somos capazes de pintar. Basta querer. Nunca ninguém disse que só há uma maneira de pintar bem, disse-me ela. Arrumei o quadro desbotado. Pendurei aquela tela branca nova, dei-lhe cor, atirei-lhe luz. Pus-lhe movimento, devolvi-lhe a vida. Plantei o amor desmedido, o querer impossível, a solidariedade sincera, a amizade honesta e eterna. Descobri que a janela do meu quarto sou eu que a pinto. Nunca ninguém disse que só há uma maneira de pintar bem.
Quarta-feira, Março 08, 2006
E não nos deixeis cair em tentação
Era nisto que eu estava a pensar quando comecei a escrever encostado ao balcão. Tinha olhado para ela insistentemente nos últimos minutos e sentia cada vez mais um barulho qualquer na barriga que me aumentou o desejo e me disparou a loucura. Fiz tenção de não olhar mais e de responder mas quis ser fraco e fiquei mais um pouco a observar de pé. Pensei. Só há duas maneiras de lidares com isto. A Bem ou a mal. E o instante chegou sem que tivesse ainda decidido. A minha boca fez os mesmos movimentos que a dela a 10 metros de distância a uma velocidade alucinante e perigosa. Vê-la a olhar para aquilo causava-me raiva e um ciúme enorme que tentava a custo controlar. Seja feita a sua vontade. Não consegui. Saí. Consigo pensar no que me faz bem sem pensar sequer muito nisso. Costumo saber como aproveitar bem uma tarde improvisando no momento. Gosto de aproveitar as coisas boas da vida e sou pragmático naquilo que quero. Apenas não gosto de contar os meus pequenos segredos a ninguém ou deixariam de ser meus. Prefiro escrevê-los e guardá-los num sítio bem secreto onde anos mais tarde os possa ir buscar. Poucas coisas trocaria por uma cerveja bem gelada num pôr-do-sol frio e um cigarro quente. Gosto de sair de casa e correr até ficar demasiado cansado para conseguir voltar para trás. Uso dois relógios mas adoro fazer tempo sem nunca chegar atrasado. Gasto fortunas em sapatilhas e uma ninharia em pijamas porque prefiro sentir o linho branco na pele. Perdoai-lhe as suas ofensas. Acima de tudo não faço intenção nenhuma de deixar de gostar da minha vida. Gosto de mim, gosto das pessoas e geralmente é recíproco. Gosto de falar e de ouvir. Acho piada ao meu futuro e adoro o passado. Gostos dos meus planos e dos meus sonhos. De dormir e de comer. Do mar e de amar. Mas livrai-nos do mal.




